Mostrando postagens com marcador Opinião. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Opinião. Mostrar todas as postagens

Opinião - A Igreja do meu Pai

Outro dia conheci um jovem que me indagou: - O senhor é pastor?
Respondi: - Sou sim, prazer.
Entusiasmado ele continuou a conversa: - Meu pai também á pastor e eu ajudo na igreja do meu pai.
Fiquei profundamente intrigado com a afirmação “na igreja do meu pai”. Parei a conversa por aí, mas fiquei pensando comigo mesmo sobre como pode a igreja ser do pai do jovem. Definitivamente isso está fora do meu conceito de Igreja. Seria a Igreja propriedade do pai dele? Fui até a Wikipédia buscar a definição de “propriedade”. Eis o que encontro: “é o direito exclusivo que uma pessoa física ou jurídica tem sobre determinado bem, podendo transformá-lo, consumi-lo ou aliená-lo”. Seria este o conceito de Igreja do jovem? Seria de fato a Igreja um empreendimento particular do pai do jovem?
Tudo bem, vivemos num país de liberdade religiosa e cada um pode ter a sua própria definição sobre Igreja. Porém, sempre defendi que a Igreja antes de mais nada é a união de pessoas que crêem em Jesus Cristo. São pessoas que, pela necessidade de terem comunhão, formam um grupo, uma comunidade. Também por necessidade escolhem alguém com o dom da pregação da Palavra de Deus como seu pastor e guia espiritual. Assim foi o processo de formação das primeiras comunidades cristãs, principalmente a partir das pregações do Apóstolo Paulo, que viajou por todo o império romano. A partir disso, grupos de pessoas passaram a se reunir para aprender mais sobre a Palavra e então necessariamente pessoas do grupo foram escolhidas para serem os intérpretes da Palavra. Também foi assim com as primeiras famílias evangélicas luteranas que chegaram ao Brasil. Elas se organizavam em comunidades e, pela falta de pastores, escolhiam alguém do seu meio para lhes servir de pregador e professor.
Percebemos nos exemplos anteriores que o processo de formação de uma comunidade sempre se deu pela vontade de um grupo todo. Jamais pelo desejo particular de uma pessoa em querer ter uma igreja. Mas, parece que o conceito de Igreja como comunidade é que anda difícil de ser vivenciado. Parece que esse modelo de igreja quase empresarial vem agradando os seguidores de Jesus Cristo. Quando a igreja é do pastor pode-se ter a liberdade de ir na igreja do pastor tal, ou do irmão fulano, ou do bispo siclano, ou do apóstolo maior, dar o dízimo e receber a bênção espiritual ou material e não ter compromisso com mais nada. O que importa é que EU seja abençoado. É quase como ir no restaurante, servir a comida, pagar e degustar. Se não gostar, troca de restaurante. E isso tem obrigado a muitas igrejas variarem o seu cardápio de cultos. Tudo para agradar o freguês. Tem culto para agradar a todos os gostos, culto da vitória, da conquista, do sucesso, da felicidade, etc. - Garçom por favor, hoje quero ouvir uma palavra de vitória e conquista com bastante molho de alegria. Se o produto agradar e o marketing for bom (talvez isso explica o fato de muitas igrejas estarem comprando espaços na mídia), então o sucesso do empreendimento está garantido. Porém, quando o garçom aprendeu o ofício e se desentender com patrão, este também funda um novo empreendimento. E assim segue o permanente processo de fundação de novas igrejas no Brasil. Com isso estabelece-se outra conseqüência: a disputa por fiéis. E a luta é nítida, basta olhar para a mídia e veremos pastores acusando pastores, igrejas que usam de marketing (estratégia humana) para ter sucesso na disputa de atração de fiéis, vendendo uma idéia que a sua igreja é a escolhida, a melhor. Usando desta estratégia obrigam os fieis dizer frases do tipo: - essa igreja mudou minha vida, quando eu a conheci tudo mudou. Ou ainda: -esse pastor é o mais poderoso e capaz de realizar grandes milagres.
Dizer “A Igreja do meu Pai” está certo. Porém, não como um empreendimento particular. A Igreja é de Deus, Pai de todos nós. É por meio do seu filho Jesus Cristo que ele cria na terra a instituição chamada Igreja, que tem a missão de continuar propagando o seu Evangelho. A verdadeira Igreja é e sempre será aquela que nasce da necessidade de pessoas ouvirem a Boa Nova do Evangelho. A Igreja sempre será a comunhão de pessoas, que escolhem para si um pregador. É uma instituição com espaço para a vivência da comunhão, com partilha de dons e serviço. É uma instituição sem proprietário, que democraticamente escolhe pessoas para administrá-la, definir suas ações e de forma transparente administrar o dinheiro ofertado pelos membros. Por fim, a Igreja não pode ser um lugar onde se busca apenas as bênçãos pessoais. É claro que Deus deseja nos amar individualmente. Porém, esse amor nos leva também ao encontro de outras pessoas, de modo que um seja bênção para os outros. Como disse Lutero – é compromisso do cristão ser como que um pequeno Cristo para os outros. O amor de Deus também impulsiona a Igreja cristã a questionar e ajudar e transformar no que for possível, as grandes dores deste mundo, entre as quais citamos, a violência do capitalismo selvagem, a fome, a guerra, a corrupção e muitas outras.
Assim, a Igreja surge da vontade de Deus, por meio de pessoas, que tocadas pelo Espírito Santo, se reúnem para ouvir a Palavra de Deus. E, tocados e orientados por essa palavra e pelo amor de Deus, colocam-se a disposição para transformar este mundo no Reino de Deus.

P. Fábio B. Rucks
Giruá - RS

Opinião: Educação para a vida com abundância

Sr. Sedelmo Desbessel - Diretor do CFJL e FAHOR
por ocasião do lançamentos dos cursos
técnicos em Giruá
Nesta semana Giruá comemorou a chegada dos cursos técnicos e profissionalizantes. Os cursos se tornaram possíveis graças a uma parceria entre o Centro Tecnológico Frederico Jorge Logemann – CFJL de Horizontina, Colégio Evangélico Rui Barbosa – CERB e Prefeitura Municipal de Giruá. Este é com certeza um importante passo para o crescimento de nosso município, pois a educação traz reflexos muitas vezes inimagináveis para o crescimento humano, econômico, social e político de um povo. Por isso, fica agora a pergunta sobre o tipo de educação que desejamos e precisamos.
Numa manifestação pública de Jesus ele disse, “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância.” Jo 10.10. Acredito que a educação é uma das formas mais nobres de contribuir na missão cristã de proporcionar vida às pessoas. A final, a educação liberta o ser humano para que, através do conhecimento, possa ser senhor de sua própria história. Sim, A educação é capaz de fazer entender o valor que a vida tem.
A Rede Sinodal, da qual fazem parte o CFJL e o CERB, “entende que o ser humano foi criado à semelhança de Deus, com direito à dignidade, com singularidade diante da pluralidade, como centro das relações de aprendizagem e com potencialidade transformadora: um sujeito consciente de que é o protagonista da sua história pessoal e social.”
É bem verdade que através destes cursos técnicos serão formados bons profissionais para o mercado de trabalho. Mas, não pode ser só isso. Pois, do que adianta alguém ser um excelente profissional se não souber valorizar e viver a vida?
Por isso a missão das escolas vai além da formação profissional. Necessita ser uma educação que visa preparar cada estudante para viver a sua vida com abundância, ligando a sua ação profissional com a responsabilidade social, a cultura, a fé, o lazer, a família, etc.
Ouvimos falar muito que a família tem grande importância na transmissão dos melhores valores para vida. Isso sem dúvida é uma grande verdade. Mas, também precisamos olhar para a responsabilidade da escola nesse processo. A escola é uma pequena amostra da nossa sociedade e já é um reflexo da sociedade que teremos daqui alguns dias. Por isso, o desafio é olhar também para o dia-a-dia da escola e perguntar se nela se vive vida em abundância. Como se dá a relação entre os estudantes? E destes com os professores? Há espaço para um relacionamentos de respeito, carinho, solidariedade? Ou estamos incentivando apenas a competição, a vitória dos “mais fortes” sobre os “mais fracos”? Como o bullying se refletirá na vida dos que o praticam quando estes no futuro se relacionarem com colegas no seu emprego? Como se dão as relações de poder? Entendemos que uma escola, especialmente a comunitária, é uma soma de forças e não um espaço de garantia de privilégios e interesses pessoais? Onde os holofotes não iluminam um nome em especial, mas a grandeza da força de um conjunto?
Sim, a escola é uma pequena amostra da sociedade, onde ousamos treinar passos para uma transformação de tudo aquilo que anula a vida. Onde conscientizamos cada estudante da importância de buscar a garantia de sua vida em abundância e da necessidade de considerar o mundo todo a sua volta, numa relação de igualdade (no mais amplo sentido da palavra), humildade e respeito entre os seres humanos. A final, alguém sabe dizer por que os seres humanos necessitam exercer domínio sobre os outros?
Por fim, o nosso desejo é de que o CERB, com a chegada dos cursos técnicos, cresça cada vez mais na consciência da responsabilidade social que tem. Essa escola que hoje já desempenha um importante papel social, principalmente através da oferta de ensino de qualidade e atenção exclusiva ao aluno, da valorização da família, da conscientização sobre o cuidado com o Meio Ambiente, do atendimento gratuito a mais de 80 crianças através dos recursos do FUNDEB, recursos do governo federal repassados pelo governo municipal, e das bolsas de gratuidade que em 2010 somaram 36% do orçamento total da escola.
Que o CERB e todas as escolas de nosso município se tornem cada vez mais conscientes do papel e poder que possuem de transformar a sociedade, para que cada cidadão tenha vida em abundância.
P. Fábio B. Rucks
Paróquia Evangélica de Giruá – IECLB
ieclbgirua@terra.com.br

Desarmamento

A discussão em torno do desarmamento ganha mais uma vez as ruas a partir do relançamento, pelo governo, da Campanha pelo Desarmamento que iniciou no dia 6 de maio. A pergunta que mais uma vez se coloca é: Você é a favor ou contra a proibição da venda de armas? Segundo minha fé, a questão não deveria ser se você é a favor ou contra a proibição da venda de armas. A questão deveria ser: Você é a favor ou contra a fabricação de armas?
Sou de opinião de que todas as indústrias que fabricam armamento deveriam ser fechadas/lacradas. Porque enquanto existir uma só indústria ou "fabriqueta" de armas, elas vão estar na mão de pessoas. Eu diria que é como a bebida alcoólica. É proibido a venda de bebida alcoólica e o seu consumo por menores. No entanto o consumo entre eles está aumentando. Se não existisse bebida alcoólica ninguém ingeria o produto. Com as armas se dá à mesma coisa. Enquanto tiver ainda que uma única indústria no mundo que fabrica armas, pessoas vão fazer uso delas. Não tem como controlar. Por isso sou a favor de que toda e qualquer indústria deixe de fabricar armas. Aliás, a fabricação de armas nada mais é do que um sinal de que as pessoas ainda se preparam para a guerra.
Você já imaginou se os bilhões de dólares que são investidos todos os anos na fabricação de armamento, que promove a morte, fossem usados e direcionados para a educação, a saúde, alimentação, transporte coletivo, ciclovias, ferrovias. Enquanto se gastam bilhões de dólares todos os anos na fabricação de armas, bilhões de pessoas passam fome, necessidade, são excluídas e por isso não tem vida digna.
Jesus falou de um novo céu e de uma nova terra. Jesus falou que um novo mundo é possível. No Sermão do Monte Jesus repetia: "Ouvistes o que foi dito, eu, porém vos digo". Ou seja, uma vez era assim. Mas não precisa continuar assim. Vocês podem mudar, as coisas podem ser diferentes. Jesus falou de um novo reino. O Reino de Deus. Um mundo sem exclusões, sem preconceito, sem ódio ou cobiça, sem agressão física ou verbal. O Tema e o Lema da IECLB falam de Paz. Promovem a paz. A paz que todos nós queremos e necessitamos para viver é possível. Deus falou certa vez através do profeta Isaías que virão dias em que "os povos transformarão as suas espadas em arados e as suas lanças em foices. Nunca mais as nações farão guerra, nem se prepararão para a batalha." (Isaías 2.4) Que esta mensagem seja a nossa esperança e o nosso compromisso. Amém.

Ervin Barg
Pastor Sinodal


Acidente em Santa Catarina - Diante da tragédia, solidariedade reafirma o espírito comunitário


Muitos esquecem que nós somos seres sociais. E isso significa que nós necessitamos uns dos outros. Por mais que nos isolemos, tragédias como essa ocorrida em SC e que vitimou dezenas de pessoas de Santo Cristo e região, nos dão a clara dimensão de que de fato nós necessitamos uns dos outros. E quando seres humanos se dispõem a tirar um pouco de si mesmos e oferecer a outros, então temos atos de solidariedade. No trágico dia 05 de março de 2011, quando as primeiras notícias veiculadas pelos meios de comunicação informavam que integrantes da família Weimer e Ickert estavam envolvidos num acidente entre um ônibus e um caminhão em Santa Catarina, imediatamente iniciaram as preocupações entre familiares e inúmeros vizinhos e amigos. Diante da angustiante espera por informações mais precisas sobre o acidente, não faltaram abraços emocionados e palavras de consolo e conforto. Na residência dos Weimer em Boca da Picada imediatamente se reuniram vizinhos e familiares. Pessoas dispostas a compartilhar a carga da angústia e da dor. Pessoas dispostas a fazer qualquer coisa para ajudar a família: dar um abraço, dizer palavras de conforto, enxugar uma lágrima, oferecer um copo de água, avisar familiares do acidente, preparar uma refeição, ou simplesmente sentar ao lado dos familiares num silêncio que dizia “eu estou aqui contigo”. Até então a notícia era de que os três integrantes da família, Ari, esposa Marli e o filho Leonardo teriam falecido. Desespero geral. Até que alguém encontrou na internet imagens do local do acidente e do trabalho dos bombeiros. No colo de um dos bombeiros, sem se poder ver o rosto, um menino que parecia ser Leonardo. Informação que se confirmou em seguida através de contato telefônico com o hospital de São Miguel do Oeste, onde o menino estava internado. Do IML veio a triste notícia da morte de Ari e Marli. Não existem palavras para descrever os sentimentos daquele momento. Alívio pela vida do Leonardo. Dor pela morte dos pais do menino. O apoio e a solidariedade se estenderam no preparo do local para o velório e uma sepultura para o sepultamento do casal. Eram passados da meia noite de sábado para domingo, e apesar do adiantado da hora, a igreja da Comunidade Evangélica São João estava lotada de pessoas que aguardavam a chegada dos corpos para o velório. Na chegada houve comoção geral. Os familiares aos pratos não acreditavam no que estavam vivendo, e entre a comunidade reunida, muitas pessoas tomadas por lágrimas e outras tantas certamente silenciosamente derramavam uma lágrima interior. Depois, não foram poucos os que permaneceram ao lado da família durante toda a noite. No domingo, centenas de pessoas vieram trazer sua solidariedade às famílias Weimer e Ickert. Já era passado do meio dia e a multidão permanecia lá, no calor do salão comunitário, num silêncio meditativo ouvindo as orações e textos bíblicos dirigidos pelo pastor, as palavras de esperança expressas nas canções entoadas e o discurso emocionado de Rubem, irmão de Ari. Em seguida, solenemente, um por um dos presentes fez a sua última despedida ao casal. E, abaixo de um sol escaldante, acompanharam o féretro até o cemitério. Agora, certamente a solidariedade continuará se manifestando através da amizade com as famílias enlutadas, na celebração em memória do casal, que acontecerá no dia 27 de março, mas, especialmente, no cuidado e no amor pelo Leonardo. Pois, com certeza, não faltarão pessoas dispostas a suprir, ou pelo menos tentar suprir, a lacuna na vida de uma criança de quatro anos que fica órfão de seus pais. Escrevemos esta detalhada história apenas com um objetivo: destacar a prática da solidariedade de uma comunidade. Esta é a essência de uma comunidade, que torna comum a dor sentida por uma família. Por isso, felizes aqueles que não se isolam em suas vidas, se trancam em suas casas, ou vivem a sua vida apenas pelo prazer do trabalho ou de acumular riquezas. Sim, felizes aqueles que sabem cativar um amigo ou amiga, que doam um pouco de si em favor de outros, sem esperar algo em troca. Sim, as pessoas mais felizes são aquelas que descobriram na prática da solidariedade o sentido da sua vida. Episódios como este acidente nos deixam profundamente tristes. Mas também nos fazem sentir que ainda temos dentro de nós uma força que nos move em direção aos outros. Que esse episódio reforce em nós o desejo de queremos viver em comunidade, nos servindo mutuamente, para que, quando dores se abaterem sobre nós, tenhamos alguém do nosso lado nos oferecendo um ombro amigo. P. Fábio B. Rucks IECLB – Giruá ieclbgirua@terra.com.br

Ano Novo, Vida Nova... A começar pela família

Fogos estouram no céu! Tilintam copos com champanhe ou outros tipos de bebidas. Famílias e amigos se reúnem para celebrar a chegada de um novo ano. Mas, porque são soltos tantos fogos, tanto barulho, tanta bebida? Será para anestesiar os nossos corações, fazendo com que momentaneamente nos enganemos, acreditando que a partir desse momento tudo será diferente? Enganamo-nos a nós mesmos e acreditamos na ilusão de que novos dias nascerão diferentes, trazendo tudo de bom que nos desejam os parentes, os amigos, as lojas, os cartões e anúncios de TV, como se tudo acontecesse num passe de mágica. Não dá para esquecer que mudanças não se dão por acaso. É claro que Deus deseja que todos os seus filhos tenham vida em abundância “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância", diz Jesus (Jo 10.10), porém, alcançar essa vida em abundância não depende da quantidade de fogos que estourarmos, nem do tamanho da festa que realizarmos na virada do ano. Mudanças requerem crer no Senhor da vida e disposição para mudanças de atitudes. Nós não podemos mudar o mundo sozinhos, mas se a nossa família necessita de transformações, então este é um bom espaço para começar o trabalho. E não pensemos que apenas os outros necessitam mudar. Comecemos a transformação por nós mesmos. A afirmação do apóstolo Paulo é de que os que estão em Cristo são novas criaturas (2Co.5.17). A partir da fé em Cristo andamos em novidade de vida. Podemos obter por meio dele o perdão de nossos pecados e nos alimentar na esperança da eternidade. Então, confiemos nossos caminhos inteiramente a Cristo e deixemos que a transformação se inicie por nós. Num segundo passo, vamos fazer um auto-exame e descobrir quais aspectos práticos precisamos mudar em nós mesmos. Talvez precisemos deixar um vício que está prejudicando a nossa saúde física e a emocional de nossa família. Talvez precisemos olhar mais para os outros e menos para o nosso egoísmo, para aprendermos a ser grato por tudo o que somos e possuímos. Outra boa estratégia é buscar estabelecer um objetivo de vida pessoal. Alguma ocupação que nos faça ter um sentido para a vida. Só depois é que poderemos construir com nossa família os sonhos de uma vida cheia de realizações. O terceiro passo consiste em planejar, com nossas famílias, a organização da vida familiar. Abaixo algumas dicas para realizar esse planejamento: 1) Investir tempo na família: O tempo é o maior dom que Deus nos deu e precisa ser bem planejado. Normalmente ouvimos as pessoas se queixarem que o tempo passa muito depressa. Com isso facilmente podemos cair na armadilha de privar a nossa família de um tempo de convivência. Por isso, se não tem sobrado tempo para a família, talvez seja hora de mudarmos atitudes, e hora de fazer uma revisão sobre como organizamos as nossas agendas e, talvez, seja hora de abrir mão de coisas que são supérfluas e ocupam por demais o nosso tempo. 2) Criar um ambiente de segurança e paz: A família é um espaço onde se espera que prevaleçam o acolhimento, o respeito mútuo e o amor. Por isso, todos os seus membros precisam saber respeitar e serem respeitados. Convenções claras a respeito dos relacionamentos são de vital importância para a harmonia familiar. Passou-se o tempo no qual apenas o pai mandava. Hoje o diálogo, a abertura para opinião e a valorização dos dons de cada um podem servir como instrumentos para a edificação da família. 3) Planejar e participar de atividades em família: É evidente que cada faixa etária possui interesses próprios no que diz respeito a atividades de lazer. Porém, com um bom diálogo e regras claras, talvez seja possível reunir a família em atividades que visem a descontração, convivência e comunhão. 4) Investir em momentos de reflexão e celebração: Lamentavelmente perdemos em muitas famílias a tradição de sentar junto à mesa e ter um momento de oração antes das refeições. Porém, retomar essa tradição e tantas outras que perdemos não é nada difícil. Basta querermos. Além disso, precisamos lembrar que crianças adoram ouvir histórias bíblicas e normalmente gostam de participar das atividades comunitárias, especialmente o Culto Infantil. Participar assiduamente dos cultos comunitários é outro bom momento para alimentar a fé em família e é responsabilidade dos pais convidar os demais integrantes da família para participar. Observados esses passos, certamente poderemos alimentar a esperança de um feliz ano novo e, com certeza, teremos motivos para brindar e festejar. P. Fábio B. Rucks Giruá – RS ieclbgirua@terra.com.br

Se Lutero vivesse hoje, quais seriam seus protestos?


O dia 31 de outubro marca o Dia da Reforma Luterana. Nesse dia, no ano de 1517, Martim Lutero tornou conhecidas as suas 95 teses em Wittenberg (Alemanha), apontando para o verdadeiro tesouro da Igreja. Suas teses tinham como centro Jesus Cristo e sua salvação por graça e fé. Em vários momentos já me flagrei pensando: e se Lutero vivesse hoje, quais seriam as reformas propostas por ele? Penso que, entre outras, sua crítica viria contra um novo sistema de venda de indulgências que se estabeleceu em muitas igrejas. Poderíamos chamá-las de neo-indulgências, pois elas vêm num novo formato, mas o princípio motivador continua sendo mesmo: vender as bênçãos de Deus. Não raras vezes ouvimos “propagandas” de produtos abençoados, como sabonete do descarrego, rosas santificadas, areia ou pedras do rio Jordão, sal abençoado, azeite de Israel e outros produtos. Tudo pode ser adquirido mediante um pagamento e são as garantias de bênçãos na vida. Esse mundo dos negócios celestiais não pára por aí. Envolvem ainda franquias de igrejas, aquisição de jornais e emissoras de televisão e rádio, compra de espaços em emissoras de TVs e rádios comerciais, ocupação de espaço na indústria fonográfica, campanhas de captação de dízimos, marketing eclesiástico e outros. O autor do livro "O Dinheiro e a Natureza humana - Como chegamos ao Moneycentrismo", do economista Ednaldo Michellon, afirma "que a força do dinheiro é tamanha na sociedade pós-moderna que conseguiu subverter até mesmo aquilo que deveria funcionar como resistência a essa influência: a religião, ou mais especificamente, o cristianismo. A adoção de uma atitude mercadológica por parte das igrejas evangélicas neopentecostais minou o poder da mensagem cristã como instrumento de transformação da sociedade. E acabou por enfraquecê-la. Desapontados com igrejas que prometeram bênçãos divinas em troca de ofertas e não as entregaram, os fieis acabaram num segundo estando de desalento, bem pior do que o primeiro". Certamente outro protesto de Lutero seria referente ao período de formação de muitos pastores que criam suas próprias igrejas. Lutero sempre defendeu a responsabilidade de cada cristão em pregar a Palavra de Deus. Porém, também defendeu que os pastores da Igreja tivessem boa formação, a fim de poderem fazer boa orientação aos fiéis que os escolheram como guias espirituais. Infelizmente o que temos visto são anúncios de cursos expressos para formação pastoral, como, por exemplo, consta no anúncio no Jornal do Brasil: "Formação de pastor a R$ 600, mestre em Bíblia a R$ 1.300 e doutor em divindade a R$ 1,500. Faça o curso por correspondência e tenha a sua própria igreja! Em 90 dias receba o diploma e a carteirinha em casa. Quem quiser se tornar pastor faz depósito e espera em casa o kit - pastor - o pacote com apostilas, provas e CDs com 10 milhões de e-mails de igrejas" (Jornal do Brasil, 14/05/2006 . p. 2.) Acredito que Lutero certamente também faria sua crítica às igrejas históricas. Vejam que o senso do IBGE, realizado no ano 2000, mostrou que o número dos “sem igreja”, ou seja, de pessoas que estão deixando de freqüentar regularmente uma igreja tem crescido vertiginosamente. São pessoas que querem se relacionar com Deus, mas que não conseguem vê-lo nas instituições religiosas. Infelizmente, muitas comunidades estão egoisticamente concentradas apenas em si mesmas, como verdadeiros clubes sociais, realizando reuniões, administrando orçamentos e construindo prédios sem saber qual o objetivo de seu trabalho, e quando estabelecem tarefas, estas não estão de acordo com o plano de Deus para a Igreja. Deus não tem outro meio para espalhar a mensagem do evangelho e salvar vidas no mundo, a não ser a Igreja. Por isso a necessidade de uma preocupação constante com a clareza na teologia, a preservação da confessionalidade, a vivencia da espiritualidade e da comunhão e a prática da ação missionária e diaconal. Certamente os ideais luteranos são capazes de questionar a Igreja de Jesus Cristo do nosso tempo. Bem-aventuradas são a igrejas que se predispõem a constante reforma, abrindo-se aos questionamentos do Evangelho e procurando seguir os caminhos propostos por Jesus Cristo. P. Fábio B. Rucks Paróquia Evangélica em Giruá – IECLB ieclbgirua@terra.com.br

Análise do trabalho com jovens na IECLB

Considerando que na IECLB ventila-se a possibilidade de em 2012 termos a discussão sobre “Juventude” para o tema do ano, arisco-me a escrever algumas linhas a respeito do assunto. São conceitos colhidos através do diálogo com colegas, lideranças e membros de comunidades, com jovens e de minha própria observação e experiência no trabalho com jovens. A partir disso, atrevo-me a escrever as linhas abaixo. Conforme um escritor e consultor de empresas holandês chamado Adjiedj Bakas, as tendências para este início de século, entre outras, são as seguintes: 1 – Pensamento Verde: Com as mudanças climáticas o pensamento a respeito do cuidado com o meio ambiente tem crescido como uma nova religião, principalmente entre aqueles que não têm crença religiosa na Europa. 2 – Novas formas de produção: Um sistema de produção onde poucos produzirão muito com alta tecnologia. 3 – Inter-relação dos povos pela rede virtual: Cada vez mais viveremos numa aldeia global. 4. Volta da espiritualidade: necessidade de preencher um espaço no ser humano que não é capaz de ser ocupado pela tecnologia. Nessa aproximação com a espiritualidade não há espaço para fundamentalismos. Acreditamos que estas novas tendências para o novo século necessitam ser consideradas quando desejamos planejar a nossa reflexão em torno do tema “Juventude”. A final, os jovens são diretamente alcançados por essas tendências. Consideremos por exemplo, o espaço que a reflexão sobre a Criação de Deus e o seu cuidado necessita ocupar entre os jovens. Ou então, qual será a nossa resposta diante da massa de jovens que não conseguirá um emprego por causa do reflexo da alta tecnologia que emprega cada vez mais tecnologia e menos mão-de-obra? Ou ainda, como alcançaremos os jovens que estão plugados com o mundo inteiro de forma virtual? Por fim, que tipo de vivência da espiritualidade ofereceremos aos jovens que procurarão as nossas comunidades? Outro estudo importante atribui características às pessoas conforme o período em que nasceram. Assim, cada geração carrega características próprias da sua geração para o resto de suas vida. Abaixo uma descrição da “Geração Y”, correspondente a pessoas nascidas entre os anos de 1977 e 2000, ou seja, nesse grupo estão os jovens de agora. “Geração Y: são as pessoas que nasceram na época da tecnologia e da ecologia. Cresceram com ações de terroristas e por isto têm uma percepção de mundo perigoso. Como suas mães trabalhavam estiveram na pré-escola desde os quatro meses. Caracterizam-se por: apreciarem a maneira de ser dos pais e cobrarem seus direitos; conhecem mais de tecnologia que as gerações anteriores; aceitam de forma natural a diversidade de raças, religiões e ambientes; são ecologicamente corretos e socialmente justos; são auto-confiantes e otimistas quanto ao futuro; são agitados, inquietos, ansiosos e impacientes; desenvolvem tarefas múltiplas; vivem com sobrecarga de informações, dificultando a correlação de conteúdos e desenvolvendo uma visão fragmentada e desorganizada; buscam equilíbrio entre a vida pessoal e profissional; trazem entusiasmo ao ambiente de trabalho; querem trabalhar e aprender; detestam autoritarismo, não respeitam cargos nem currículos, admiram a competência real, a coerência e o comportamento ético; têm necessidade de queimar etapas. Esperam que seus gestores os tratem como colegas e não como adolescentes; reconheçam positivamente suas competências quando atingem as metas acordadas; estabeleçam uma via de mão dupla de aprendizado, trocando conhecimentos num clima de cordialidade e colaboração; pratiquem o que pregam e sejam coerentes com seus discursos e cumpram as promessas estabelecidas.” Fonte: Trajeto RH - http://estagioultragaz2009.wordpress.com/2009/04/15/voce-faz-parte-da-geracao-y/ É essa geração que nós desejamos atingir com nosso trabalho enquanto Igreja. É para ela que desejamos anunciar a mensagem do Evangelho. Mas, a pergunta que não quer calar: será que nós conhecemos suficientemente essa geração? Será que o nosso jeito de ser Igreja vai ao encontro das suas expectativas? Ou será que desejamos primeiro adequar as características de uma geração inteira ao jeito de ser Igreja, para depois envolvê-los pelo Evangelho? Nas comunidades fala-se muito sobre a participação ativa dos jovens na comunidade, porém a realidade tem mostrado que nós não conhecemos suficientemente a vida dos jovens. Não conseguimos adequar as comunidades às perspectivas deles sem perder a essência do Evangelho. Por isso a conseqüência natural é uma baixa freqüência de jovens em atividades comunitárias. De modo geral, a porcentagem de jovens das comunidades atingidos pelo trabalho é relativamente baixa. Dentre os grupos que existem muitos ainda sofrem o sintoma de se “fecharem” à participação de novos integrantes após um certo tempo de existência. Esse “fechar-se” não acontece de forma consciente e voluntária, porém o grupo cria amizades e vínculos que acabam desfavorecendo o ingresso de novos membros. Se considerarmos que a participação dos jovens num grupo é cíclica, ou seja, ela acaba deixando o grupo por diversas razões como emprego, namoro, casamento e outras e há a ausência de novos integrantes os grupos podem contar com uma vida muito curta. Não raras vezes a organização do trabalho com jovens acaba sendo colocada como responsabilidade dos ministros das paróquias. Porém, precisamos considerar que estes não têm formação suficiente para esse trabalho. Também os jovens nem sempre tem condições de exercer a liderança sozinhos. Aliado a isso, ainda não possuímos materiais didáticos e de formação suficientes para o trabalho com jovens na IECLB. É comum ouvir relatos de jovens que se sentem frustrados com seus grupos porque não conseguiram estabelecer um objetivo de trabalho comum e concreto para o grupo. Sabemos que quando não existe um objetivo comum e concreto num trabalho com jovens que, que respeite o seu mundo que envolve a dimensão do lazer, da diaconia, da formação, da celebração e da convivência o trabalho está fadado a não obter êxito. É preciso que compreendamos que, de modo geral, os jovens acreditam em Deus e têm a necessidade de viver uma espiritualidade, mas não se identificam com o modelo de Igreja que apresentamos a eles. A sociedade pós-moderna dá passos que transformam a realidade numa velocidade cada vez maior. Por outro lado, a Igreja, em muitas questões, se mantém por demais tradicional, sem inovar na maneira de transmitir o Evangelho. Em meio a isso se faz a pergunta: porque o jovem não vem à Igreja? Talvez a pergunta que também devêssemos fazer é: porque a Igreja não vai ao jovem? Conforme o apóstolo Paulo, a comunidade é o corpo de Cristo e congrega diferentes membros que se completam uns aos outros. Por isso os jovens não podem formar um grupo a parte ou estar completamente fora da vida comunitária. Ao contrário, precisam estar completamente integrados em tudo que acontece. Porém, para que isso aconteça é necessária boa vontade por parte de todos os membros desse corpo – tanto dos jovens, como dos adultos. Precisamos sempre lembrar que sem os jovens o corpo não está completo. Completar esse corpo, que é a comunidade, é uma missão nada fácil. Ainda é necessário derrubarmos vários tabus. O primeiro deles é a dificuldade que temos de abordar a temática juventude. As comunidades somente poderão realizar um bom trabalho com jovens quando seus membros (incluindo os jovens), presbitérios e ministros se ocuparem numa discussão aberta e sem preconceitos sobre o assunto. O segundo tabu que precisamos derrubar é acreditar que trabalho com jovens somente se faz quando existe um grupo de jovens na comunidade. Essa é uma visão errada da missão. O trabalho com jovens é na verdade todo e qualquer esforço que uma comunidade pode fazer na tentativa de envolver os jovens em qualquer de uma das suas atividades, inclusive o grupo de jovens. A IECLB, em suas comunidades, paróquias e sínodos é uma Igreja que se organiza através de grupos. A exemplo do Culto Infantil, da OASE e outros grupos o trabalho com jovens é planejado usando a mesma estrutura. Espera-se assim que as comunidades organizem grupos de jovens, com um número regular de participantes que se encontram regularmente, realizam meditações, estudos, cantos e algum esporte. Porém, precisamos nos perguntar se esse modelo de trabalho não está desatualizado frente as atual conjuntura da organização da sociedade humana. Para haver realmente uma aproximação entre comunidade e jovens é necessário em primeiro lugar uma ampla discussão sobre o fenômeno social chamado Juventude. Para isso um esforço muito grande de conscientização, a começar pelas famílias, presbitérios, grupos, comunidades, ministros/as e todas as pessoas que se interessam por essa causa. Essa consciência se faz necessária, pois ela é um passo importante para que possamos investir tempo, dons e dinheiro nesse propósito. É importante que cada comunidade pense em como pode incluir os jovens em seu âmbito. E isso começa com uma conscientização sobre a nova ordem mundial e as características da geração de jovens. Não podemos continuar acreditando que o melhor formato de trabalhar com jovens é o do passado. Não raras vezes ouvimos pessoas dizendo “no meu tempo era assim e era bom.” Esse desejo saudosista de que o trabalho com jovens volte a ser como foi no passado desrespeita as transformações sócias e antropológicas ocorridas nos últimos tempos. Para isso vale lembrar que o Grupo de Juventude Evangélica é uma importante alternativa para envolver jovens na comunidade, porém, não a única. Um olhar cuidadoso pode detectar inúmeras possibilidades que englobam especialmente as áreas da arte, música, diaconia, tecnologia, aventura, convivência e outras. São áreas muito facilmente compatibilizáveis com a fé e por isso podem ser exploradas pelas comunidades, com atenção especial à valorização de todos os dons existentes em seu meio. Assim, poderíamos resumir dizendo que o trabalho com jovens compreende toda e qualquer ação que uma comunidade ou alguém realiza visando incluir os jovens em seu âmbito. Com certeza, identificando as possibilidades de cada comunidade, é possível ensaiar novas modalidades de envolvimento dos jovens em algum trabalho comunitário. Porém, a nossa reflexão como Igreja também não pode se limitar apenas na busca por um trabalho que vise o envolvimento do jovem na vida comunitária. O trabalho com jovens pode ultrapassar essas barreiras se valorizarmos os espaços “extra-comunidade” que muitas vezes estão a nossa disposição e aos quais não damos a devida atenção. Se considerarmos a quantidade de convites que ministros/as da IECLB recebem para inserções em escolas, rapidamente chegaremos a conclusão de que temos a nossa disposição um contingente muito grande de jovens que estão dispostos a ouvir a nossa mensagem. As inúmeras escolas ligadas à Rede Sinodal são espaços privilegiados para o contato com os jovens. Não podemos ter receio de imprimir nossa marca luterana na educação oferecidas por essas escolas. Com certeza também não percebemos ainda as possibilidades de estar ao lado da grande quantidade de jovens que migram para as cidades que abrigam centros universitários. Ou ainda, não descobrimos e não nos aliamos às inúmeras instituições que oferecem apoio e formação através de projetos desenvolvidos e que visam atingir os jovens. Também não buscamos ocupar satisfatoriamente os espaços na administração pública, com o objetivo de colaborarmos no estabelecimento de políticas públicas que visem a promoção da vida dos jovens. Temos por vezes a idéia de que nos bastamos por nós mesmos, esquecendo que podemos complementar o trabalho de outras instituições compartilhando a nossa visão de mundo e da relação do ser humano com este mundo. E, onde for possível, inclusive deixar a marca da nossa teologia luterana. Porém, infelizmente na IECLB muito pouco se motivou as comunidades a constituírem formas alternativas no relacionamento com os jovens. Permanecemos num único modelo, os grupos de jovens JE, o que volto a repetir, não deixam de ser uma boa opção. Aliado a isso, as instâncias diretivas e de fomento do trabalho nessa área nunca conseguiram se desvencilhar de um único modelo de organização e envolvimento dos jovens, que valoriza demais diretrizes regimentais, estatísticas e representações e se esquece de discutir a real conjuntura da vida dos jovens e não conseguem estabelecer novas possibilidades de ações. Além disso, inúmeras reuniões e seminários realizados no âmbito da Igreja, inclusive com altos custos, têm se preocupado em debater velhos problemas dos grupos de jovens e definir velhas soluções, que no decorrer dos anos sempre foram as mesmas e nunca sanaram os problemas relacionados aos grupos de juventude. Por isso, acreditamos que é hora de buscarmos fazer uma reflexão madura, que considere a conjuntura do mundo e a realidade dos jovens e assim podermos trabalhar na edificação de comunidades que criam espaços de relação com os jovens, valorizando seus dons e respeitando suas peculiaridades. À IECLB e aos Sínodos fica o desafio de serem um agentes motivadores desse processo. De fazer com que de cada recanto surjam notícias sobre como comunidades usaram da inovação e criatividade para criar espaços de identificação entre os jovens e a Igreja. P. Fábio B Rucks ieclbgirua@terra.com.br